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A BR2EX e a volta do padrão-ouro

As moedas surgem como importante veículo de simplificação da ânsia humana gerada dentro da economia de mercado.

Apesar do trato diário e da compreensão como algo dado, o modelo atual é fruto de uma série de conquistas históricas, resultando na formação do sistema contemporâneo, que continua em constante evolução.

No dizer de Polanyi1, a construção da sociedade de mercado, necessária ao funcionamento de uma economia de mercado, foi acompanhada pela criação de mercadorias ditas fictícias, dentre as quais figura a moeda.

A tendência do homem de trocar, permutar e negociar se respaldam, na verdade, não em uma tendência natural, mas encontra eficácia no modelo de mercado que se desenvolve, especialmente, no século XIII.

Entender que a moeda é uma mercadoria fictícia e produto de uma economia de mercado. É importante para distinguir o papel das moedas dentro das relações humanas, bem como sua variação de preço, mediante a consideração de que, por muito tempo, elas foram monopolizadas pelo Estado.

A tendência à permuta é, desde Smith2, levada ao extremo e exaltada pelos economistas clássicos. Hoje, mais do que nunca, diante da multiplicidade de bens que despertam o desejo humano, a necessidade de intermediários de troca está consolidada, como consequência da formação da economia de mercado.

Em verdade, em uma comunidade sem moeda, observam-se três dificuldades:

(i) encontrar pessoas cujas intenções de troca são semelhantes, ou seja, uma pessoa que possua o desejo de adquirir um bem de outra e essa outra que possua o desejo de adquirir-lhe, estando ambas as pessoas dispostas a se desfazerem dos bens cobiçados;
(ii) o arsenal de bens que uma pessoa possui deve ser bastante amplo para viabilizar as trocas;
(iii) e buscar a paridade dos bens a permutar.

Nesse sentido, ao longo da história várias soluções foram criadas para permitir a simplificação da troca e permuta dos bens no sistema capitalista.

A primeira das soluções foram as mercadorias-moedas (logo depois, vieram os metais preciosos, encabeçados pelo ouro). Neste primeiro momento, algumas mercadorias são erigidas à qualidade de instrumento de troca, tornando-se referência no padrão da permuta, o que faz com que a função estabelecida se torne, em última análise, uma relação de compra e venda.

A busca pelo aperfeiçoamento do sistema de trocas e o crescimento das atividades econômicas - que exigiam que elas fossem seguras e, ao mesmo tempo, compatíveis com a velocidade das transações - resultaram na aceitação geral de que os metais preciosos seriam os melhores instrumentos de troca, elevando-os a qualidade de moedas-mercadorias. Nessa perspectiva, os mais utilizados, a prata e o ouro, caracterizam-se pela

(i) raridade;
(ii) durabilidade;
(iii) desejabilidade;
(iv) divisibilidade;
(v) homogeneidade.

Apesar das características apontadas, o sistema continuou buscando por simplificações e, mesmo com a aceitação geral da utilização de metais preciosos, estes apresentaram algumas inconveniências, dentre as quais, a dificuldade do transporte de longas distâncias, e os empecilhos gerados em situações de grandes pagamentos.

Assim, surge uma nova solução, qual seja, a letra de câmbio e, para substituí-la, em razão da indivisibilidade que ela apresentava, as notas de banco. Estas últimas ficaram conhecidas como moeda-papel, que atestavam a existência de depósito de metais preciosos, assegurando ao seu portador a obtenção da quantidade de metal constante no documento, sendo, portanto, a conversão do papel em ouro e vice-versa.

Tem-se, pois, nesse segundo momento, a moeda-papel conversível, que passa a ser aceita pelo Estado para liberação de débitos fiscais, marcando o início do curso legal da moeda.

Aqui se nota que o valor nominal das moedas-papel, em certo momento, era determinado com base no valor do ouro. Dessarte, na sua origem, a forma da moeda que conhecemos apenas ganha aceitação com a referência e conversão em ouro.

Dessa forma, a indivisibilidade, homogeneidade e durabilidade poderiam ser garantidas pelos papéis, independentemente de qualquer referência a outros ativos. Contudo, no processo de aceitação do papel como instrumento de pagamento, o requisito da desejabilidade, atrelado à raridade do ouro, transpareceram a confiança necessária à circulação da moeda-papel, com serenidade nas transações.

Nesse contexto, surge o chamado padrão-ouro. A partir de então, os Estados iniciaram um processo de centralização da emissão das notas de banco, tornando-se administradores das reservas de metal. Nesse contexto, destaca-se a corrida encabeçada pelos estados europeus, em buscas ultramarinas (overseas) por riquezas, dentre as quais, os metais preciosos.

Contudo, as pressões por emissão monetária em razão da crescente necessidade de meios de pagamento dentro dos mercados, somada às crises que ocorriam à época, como as contínuas guerras, tinham como consequência situações de inflação que levavam os governos à suspensão da convertibilidade, inicialmente como medida passageira, sendo implementada cada vez com mais frequência, desembocando na instalação do curso forçado das moedas.

Nessa toada, já no século XX, em 1944, o acordo de Bretton Woods obrigou as nações a adotarem uma taxa de câmbio indexada ao dólar, o qual, por sua vez, tinha seu valor atrelado ao ouro.

Com isso, em 1971, o governo dos EUA abandonou o padrão ouro, dolarizando as moedas nacionais de todos os estados signatários do acordo. Nesse momento, a moeda passa a ser fiduciária3, uma vez que passa a ter seu valor totalmente vinculado à confiança no agente emissor da moeda.

Voltando para os dias de hoje, nota-se que no século XXI, outros instrumentos de pagamento com potencial de padrão monetário surgiram, graças aos avanços tecnológicos, sobretudo com a revolução informacional trazida pela internet. A utilização da blockchain e o advento das criptomoedas, a exemplo do bitcoin4, fazem parte da nova era da internet de valor5, em que o comércio pode existir de forma mais flexível e barata, por não haver intermediários humanos que garantam a integridade das transações.

Com a nova tecnologia, seria possível garantir que um recurso digital ou unidade digital de moeda não seja interminavelmente copiada ou reproduzida, evitando o envio simultâneo para duas partes6.

Com inspiração no passado, e seguindo a constante evolução da economia, a BR2EX traz alternativa distinta, preservando as características que levaram a superação dos sistemas prévios e corrigindo erros anteriores.

A BR2EX, novo instrumento de pagamento, altamente estável e flexível, surge de modo paulatino e assertivo, com referência na principal moeda-mercadoria, o ouro.

A BR2EX se insere, assim, nesse contexto de busca contínua por aprimoramento dos instrumentos de trocas, que encontrou na nova era da internet de valor mais uma possibilidade de evolução.

A busca pelas já citadas características do ouro, como a estabilidade, aliado à sua base histórica e seus valores, são elementos fundamentais para a criação de um modelo disruptivo inspirado na história da economia monetária.

Encontrando sustentáculo no ouro, a BR2EX é uma nova oportunidade para que as transações ocorram sem a necessidade de que os polos depositem inteiramente sua confiança em um terceiro.

A verdadeira confiança repousa, não em entidades políticas, mas principalmente na integridade do ouro e nas equações matemáticas do protocolo blockchain.

Ademais, em épocas de crise as moedas nacionais tendem a desvalorizar, ao passo em que as pessoas buscam segurança no ouro.

Assim, o ouro é símbolo de segurança e estabilidade, e se apresenta como a alternativa mais óbvia para qualquer sistema que se pretende estável. Tem-se, pois, um sistema de pagamento inovador para atender com eficiência a criptoeconomia.

Com a BR2EX, o passado e o futuro se unem para a construção de um novo paradigma.

REFERÊNCIAS

1 POLANYI, Karl. A Grande Transformação: As Origens da Nossa Época. 2ª ed. Rio de Janeiro: Compus, 2000, p.195.

2 SMITH, Adam. A riqueza das Nações: uma investigação sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Nações. Tradução Getulio Schanoski Jr. São Paulo: Madras, 2018.

3 Os Estados Unidos são o último país a abandonar de vez o padrão-ouro. A ordem mundial passa a adotar novamente a moeda fiduciária. Contudo, agora, sequer o dólar é minimamente lastreado no ouro.

4 NAKAMOTO, Satoshi. Bitcoin: A peer-to-peer electronic cash system. In. https://bitcoin.org/bitcoin.pdf, 2008.

5 ANTONOPOULOS, Andreas M. The Internet of Money: A Collection of Talks. Vol 1. Createspace Independent Publishing Platform, 2016.

6 FILIPPI, Primavera De; WRIGHT, Aaron. Blockchain and The law: The Rule of Code. Kindle Edition. London, England – Cambridge, Massachusetss: Havard University Press, 2018. P. 369

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